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Santos - São Paulo - Brasil, 27 de setembro de 2020.
05/12/2005
Notícias
Artigo: "O último acerto de Arraes".
Era uma tarde qualquer, como tantas, e a conversa com Arraes fluía, pausada e objetivamente como sempre.
Assunto: O PSB precisava se preparar para as eleições de 2006 para ultrapassar, como em 2002, os 5% de votos necessários da exigência da cláusula de barreira.
Verificando que em diversos diretórios estaduais, o partido não estaria preparado para essa tarefa, Arraes deu seu veredicto:“É necessário que antecipemos os Congressos do partido, em todos os níveis, para que possamos ter estabilidade política no mês de setembro de 2005, quando os eventuais candidatos por todo o País, forem se decidir sobre seu futuro e suas necessárias filiações para isso”.
De pronto, consultando os nossos Estatutos, verificamos que seriam necessárias as assinaturas de, no mínimo, 1/3 dos presidentes estaduais para a mudança de datas, que aproveitaria também, para alterações estatutárias necessárias há muito tempo.
Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal, São Paulo, Amazonas, Tocantins, Rondônia, Pernambuco e Acre assinaram o requerimento e o processo foi deflagrado.
As datas escolhidas mantinham 30 dias de um Congresso para outro (municipal, estadual e nacional). Com isso, o partido se reacendeu logo no primeiro semestre.
Muitos imaginaram que, em razão do pouco tempo de convocação, os filiados talvez não participassem. Engano!!!
Foi um dos maiores, mais organizado e produtivo Congresso Nacional realizado pelo partido. Debates intensos, votações polêmicas, discursos memoráveis e principalmente, tudo de maneira objetivamente prática e eficaz, com a rapidez e eficiência que o momento exigia.
É verdade, entretanto, que faltou uma coisa... Uma coisa tão importante, que por todos lembrada...
Faltou o cheiro do fumo do cachimbo queimando, o olhar sério e sereno, faltou o som estridente do sino badalar na entrada triunfante do velho timoneiro...
Não estava lá o carisma do silêncio mais ruidoso e mais coerente que as esquerdas brasileiras já ouviram e aprenderam a respeitar.
Daquele congresso histórico, saímos de 16 ou 17 deputados federais, para os atuais 29.
Dali irradiou sinais, que nos permitiram saltar de uma perspectiva de 3,5% a 4,0%, para os agora previsíveis 5,5% a 6,0% dos votos do Brasil (estimados em 100.000.000 votos válidos, portanto algo em torno de 6.000.000 de votos para os deputados federais do PSB, em todo o Brasil).
Previsão que nos remete ao seguinte quadro: a eleição, em 2006, de 45 a 50 deputados federais pelo País, que serão somados aqueles deputados eleitos pelos partidos que não ultrapassarão os 5%, e terão que migrar de partido entre outubro/06 até janeiro de 2007, totalizando algo em torno de 60 ou 70 deputados tomarão posse pelo PSB.
Isso, somado a uma previsível reação eleitoral ao quadro de crise atual, fará do PSB, provavelmente, o maior partido de esquerdo da Câmara Federal, e, portanto do País. Imaginando esse quadro, o partido disputará as próximas eleições municipais, com um tempo de TV equivalente aos maiores possíveis pela legislação. Iniciamos assim, a caminhada para a conquista real do poder no Brasil, com o PSB como protagonista do processo!
Mas o que poucos sabem é que ARRAES, ao fixar as datas dos Congressos de 2005, marcou para o primeiro domingo de agosto, dia 7, o Congresso Nacional.
Naquele instante, alertado por Dr. Carlos Siqueira e o Deputado Eduardo Campos e por mim, de que essa data poderia ficar muito “apertada” para a remessa de documentos das Regionais para a Nacional, ARRAES depois de muita insistência de nossa parte, cedeu contrariado. Queria porque queria que mantivéssemos dia 7.
Transferimos, meio a que a sua revelia, a data do dia 7 para dia 21.
Daquela tarde em diante, nunca mais vimos ARRAES com vida!
Naquela semana, ao seu final, ele fora internado e depois em coma, pouco assistiu ou acompanhou os Congressos que imaginara e planejara. Só pudemos acompanhá-lo no hospital à distância e depois no último adeus, comovente e memorável em Recife.
Em silêncio, assistindo aquela cerimônia emocionante do velório e enterro de ARRAES, por vezes, éramos interrompidos por alguns companheiros, que diziam:"Uma pena que o Dr. ARRAES não vai poder acompanhar vivo o Congresso da semana que vem (seria no fim de semana seguinte a sua morte), ele quase resistiu até a data prevista, até que enfim ele errou em uma previsão, não é mesmo?"
Nenhuma vez respondemos, mas no fundo sabíamos e só agora revelamos: Arraes acertou!!!
Na data inicial que ele havia fixado para o Congresso, dia 7/8, ARRAES estaria vivo, quem sabe inconsciente, mas por certo seguro de que sua última e importante decisão na presidência do PSB, permitiria que o nosso partido pudesse, finalmente, apontar direto para o seu destino inexorável: ganhar as eleições do Brasil e possibilitar que seu povo experimente um governo, de verdade, SOCIALISTA E DEMOCRÁTICO, como aquele que ARRAES sempre sonhou e  foi a razão maior de sua luta e de sua vida!
Salve ARRAES CERTEIRO, GUERREIRO do POVO BRASILEIRO!!!!
Márcio França
Presidente do PSB/SP e ex-prefeito de São Vicente/SP
Secretário de Finanças e Orçamento eleito do PSB/Nacional


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